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A oposição em crianças: meu filho tem TOD?

Foto do escritor: Renata Begosso
Renata Begosso
19 de jun. de 2025
3 min de leitura

Atualizado: 2 de set.

adolescente com a mão levantada

Aprender a dizer “não” é uma importante aquisição na infância. Representa colocar limites, aprender o que gosta e o que não gosta, se manifestar


Pensemos em exemplos: se seu/a filho/a está brincando na praça e um desconhecido se aproxima, ele/a precisa saber dizer “não” e se afastar. 


Ou ainda: todos os dias, as opções de lanche da tarde na casa de vocês são maçã e banana. Seu filho, porém, não gosta de banana, só de maçã. Mas, mesmo assim, ele come algo que não gosta porque você oferece. Nesse cenário, observamos uma dificuldade de dizer algo aparentemente simples como "não gosto de maçã, prefiro comer banana". Isso acende um sinal de alerta para como essa criança pode estar passando por cima de si mesma diante de diferentes cenários. Se ela já apresenta essa dificuldade com alguém de confiança, como será que tem se comportado em outras situações como na escola, ou com os amigos?


Se seu filho é sempre indiferente, não questiona nada, esse pode ser um indicativo de sofrimento. É importante que ele consiga dizer coisas como “gosto mais dessa brincadeira do que daquela”, ou “isso me deixa desconfortável, quero parar”: são sinais positivos do desenvolvimento subjetivo/emocional.



Por que, então, a oposição é vista como algo ruim?


menino no playground

Essa pergunta não é tão simples. Para respondê-la, é importante pensarmos no que se espera das crianças hoje em dia.


Nossa sociedade tem solicitado cada vez mais das crianças, e cada vez mais cedo: a alfabetização antecipada, a escola que retira o tempo de brincar da grade escolar, as crianças devem ficar sentadas nas carteiras por longos períodos, concentradas nas aulas… Mas, o que isso significa?

Quando a sociedade muda, o que se espera das pessoas também muda. No mundo em que vivemos hoje, com o avanço do neoliberalismo, o que vemos é uma mudança do que se espera em relação às crianças - espera-se que elas sejam comportadas, obedientes e passivas. Porém, isso não condiz com a natureza infantil. Não que as crianças sejam desobedientes por natureza, pelo contrário, elas precisam de limites. O que quero dizer é que crianças são questionadoras, exploradoras e cheias de energia.



E o que tudo isso tem a ver com TOD?


Na literatura médica, a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM V) apresenta uma categoria chamada “Transtornos disruptivos, do controle de impulsos e da conduta”. Nela, estão classificados alguns transtornos muito associados a crianças em idade escolar, como o Transtorno Opositor Desafiador (TOD)

O Manual define os “Transtornos disruptivos, do controle de impulsos e da conduta” da seguinte forma: “condições que envolvem problemas de autocontrole de emoções e de comportamentos [...] esses problemas se manifestam em comportamentos que violam os direitos dos outros (p. ex., agressão, destruição de propriedade) e/ou colocam o indivíduo em conflito significativo com normas sociais ou figuras de autoridade”. 


Essa definição do Transtorno foca o problema na criança, quase como a responsabilizando por suas dificuldades: o foco está nos comportamentos desviantes, que supostamente violam direitos e normas sociais, desafiam leis e autoridades. 


Isso significa, então, que não devemos diagnosticar crianças com TOD? De maneira nenhuma. Muitas vezes, é a partir do diagnóstico que conseguimos perceber que a criança está passando por dificuldades e olhar mais atentamente para elas, que conseguimos ter acesso a direitos e buscar ajuda.


Minha proposta, aqui, é que possamos olhar para o diagnóstico de uma forma diferente. Ao nos depararmos com uma criança “opositora”, lembremos que estamos diante de uma criança em sofrimento, e não de alguém que quer causar disruptura ou que gosta do caos.


O que assola muitas famílias e educadores é a sensação de um impossível de lidar: a criança parece não reconhecer a autoridade e uma desordem toma conta. Mas, será que é isso mesmo que acontece?


Sim, a sensação de impotência que toma conta dos adultos é real, mas, quando falamos das crianças, a história é outra... Quando falamos em oposição, estamos falando da posição de “um” frente ao “outro”, uma posição de comparação e contraste. Para poder negar uma afirmação, é preciso reconhecer que ela existe. Ou seja, quando uma criança parece se opor a tudo ou negar a autoridade do adulto, na verdade, ela reconhece a existência da norma. O que acontece é que essa criança se encontra presa em uma forma de existir no mundo: negando tudo aquilo que lhe é oferecido. Esse modo de funcionar é um sinal de sofrimento profundo, e ela precisa de ajuda para encontrar novas formas de se relacionar.



Se seu filho recebeu um diagnóstico de TOD, ou ainda não recebeu, mas você tem percebido que ele tem vivido dificuldades, a psicoterapia será uma grande aliada. Entre em contato e saiba como posso te ajudar.




 
 
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